A história do movimento vegetariano e vegano

Pré-história: a história do antepassado herbívoro

Para falar da história do movimento vegetariano e vegano vamos voltar a 5 milhões de anos, ao nosso ancestral herbívoro: o Australopithecus anamensis.

Ele possuía uma dieta composta por frutas, folhas e sementes, tinha uma natureza pacífica, não caçava e continuou assim até os Australopithecus boesei (2,4 a 1 milhão de anos), que por alterações climáticas mudou seus hábitos alimentares, passando a consumir animais.

Civilizações antigas e o vegetarianismo

Antigo Egito

Os líderes religiosos do antigo Egito (3200 a.C.)  não consumiam carne, pois acreditavam que a abstinência criaria um poder cármico nas reencarnações.

China e Japão

No século III a.C., na China, o rei Fu Xi possuía hábitos vegetarianos e ensinava o cultivo e as propriedades medicinais das plantas. No mesmo período no Japão, relatos mostram que eles não criavam animais para abate, viviam do arroz e pesca, porém com a chegada do Budismo a carne foi proibida.

Índia

Na Índia, a vaca e o macaco eram considerados a reencarnação das divindades. Como figura importante para a história do vegetarianismo tivemos o rei indiano Asoka (264- 232 a.C.), que após se tornar budista proibiu o sacrifício de animais.

Rei Asoka (Créditos: CompraZen)

Cultura Greco Romana: marcos da história do vegetarianismo

A cultura Greco Romana possuía como ideologia alimentar a frugalidade. Os alimentos essenciais eram os que vinham da terra, além disso em algumas épocas o consumo e venda de carne foram proibidos.

Personalidades importantes

Pitágoras e Platão, defendiam a não crueldade animal e acreditavam que um “regime” vegetariano seria a chave para a coexistência pacífica.

De acordo com Pitágoras, uma alimentação sem carne ajudaria na veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica.

Catolicismo

A religião católica primitiva via o jejum de carne como uma forma de purificação do corpo, vemos ainda o reflexo desse comportamento na sexta-feira santa.

Pitágoras (Créditos: ANDA)

Renascimento e Iluminismo: o conceito de senciência

No Renascimento (século XIV a XVII) o vegetarianismo surge associado à fome. Os alimentos eram direcionados para as pessoas ao invés de irem para animais de corte. No Iluminismo (século XVIII) surge o princípio dos direitos humanos e a ideia de que os animais possuíam senciência, ou seja, a capacidade de sentir, conscientemente, as emoções mais básicas.

Personalidades importantes

Rousseau, filósofo e escritor (1712 – 1778) e Jeremy Bentham, filósofo (1748 – 1832), defendiam a inclusão dos animais nas questões morais. Foi Jeremy Bentham que fundou o termo “senciência”, tão utilizado até hoje no movimento vegan. O livro de Thomas Paine, The Rights of Man (1791), despertou diversos assuntos a cerca dos direitos dos animais.

A obra de Paine (Créditos: Wikipedia)

 Século XIX: a história do movimento vegetariano e a religião

A história do movimento vegetariano e vegano no século XIX, na Inglaterra e nos Estados Unidos, se expandiu com o cristianismo radical – seus representantes estavam espalhando-se por outros países europeus. Um vegetariano famoso da época foi o Dr. John Harvey Kellogg, o inventor dos cereais Kellogg`s.

Em meados de 1880, os restaurantes vegetarianos já eram conhecidos em Londres e ofereciam refeições baratas e saudáveis.

Dr. John Harvey Kellogg, o inventor dos cereais Kellogg`s (Créditos: Acervo Bettmann/Corbis)

Século XX: vegetarianismo e consciência ambiental

Durante a crise de 1926, a Sociedade Vegetariana ajudava na distribuição de alimentos e, devido à escassez de alimentos, a população foi encorajada a plantar, dessa forma acabavam tendo uma dieta vegetariana.

Nos anos 50 e 60 as pessoas começaram a tomar consciência dos processos produtivos industriais e a questioná-los.

Já durante as décadas de 80 e 90, as questões ambientais impulsionaram o vegetarianismo. As degradações ambientais estavam mais evidentes por conta do maior alcance dos veículos de comunicação, assim o vegetarianismo foi visto como uma alternativa para a conservação dos recursos.

Movimento vegetariano e vegano como recurso para nosso futuro 

A ONU têm indicado a necessidade de se diminuir o consumo de carne, temendo uma catástrofe ambiental. Nesse sentido, o vegetarianismo, aliado à agricultura mais consciente, são pontos cruciais para cuidarmos do nosso planeta e da nossa saúde.

Quando falamos do veganismo como recurso para o futuro, estamos falando de preservar a nossa morada, pois vivemos de maneira simbiótica com a natureza, apesar de pensarmos e agirmos como se estivessemos separados dela, a verdade é que pertencemos à natureza e precisamos nos reconectar com ela para fazermos escolhas mais conscientes, como propõe o movimento vegano.

Perspectiva com ou sem o veganismo

Mas afinal, quando foi que começamos a nos afastar da natureza? Com a Revolução Industrial, houve o êxodo rural, e com o passar do tempo o desenvolvimento técnico científico, bem como o modelo econômico capitalista, ganhou mais espaço no nosso cotidiano.

Começamos a viver como se não dependêssemos mais da natureza e seus recursos, então passamos a considerar apenas esse modo de estar na terra como legítimo e os demais primitivos e ultrapassados.

O que vemos atualmente é uma dicotomia entre preservação x economia. Existe sim um movimento que busca a utilização sustentável de recursos naturais. Mas de forma geral, é nítido que, quando se tem que escolher entre um e outro, a economia é sempre priorizada em detrimento da preservação.

A pandemia nos mostrou claramente que o nosso modo de viver está em colapso, e infelizmente a tendência é que tenhamos mais situações semelhantes caso não escolhamos viver de outra maneira

As mudanças climáticas inclusive podem e estão colaborando pra isso, colocando espécies diferentes em contato, devido as migrações pelo clima, assim como vetores em diferentes locais e exposição de patógenos do permafrost, para os quais não temos imunidade.

A verdade é que sabemos que o mundo não suporta mais esse modo de vida que criamos, temos ciência que para tudo mudar precisaremos começar com nossas escolhas pessoais. Também sabemos que não somos vítimas de um modelo econômico, na verdado somos nós, enquanto sociedade que construímos esse modelo, a sociedade se mobiliza e pouco a pouco pressiona o mercado para a mudança.

Então que tal começarmos essa mudança para um mundo melhor com algo bem simples? O que colocamos no nosso prato!

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