ENTENDA A CULTURA DA DIETA E COMO MANTER UMA RELAÇÃO SAUDÁVEL COM A COMIDA

Colalgem com fundo rosa, parte de cima de mulher em preto e branco e pedaços de fruta laranja e garrafas amarelas - Ilustando um mood de Cultura da Dieta

Cultura da Dieta (Colagem: Tamara García)

O QUE É CULTURA DA DIETA?

Muitas pessoas em todo o mundo sentem-se desconfortáveis com seus corpos ao se verem no espelho e brigam com problemas de imagem corporal. Por causa deste descontentamento, muita gente se sujeita a anos de dietas restritivas, a tratamentos de beleza e à prática exagerada de exercícios físicos, como forma de compensação ou punição. Tudo pela busca do corpo “perfeito e ideal”, magro e musculoso. Aí vem a cultura da dieta.

Mas se engana quem acha que esta é a solução! Estas técnicas extremistas não fazem bem à saúde e, como resultado, podem produzir o famoso “efeito sanfona”, além de levar ao comer transtornado e problemas de saúde.

Esses hábitos estão inseridos na “cultura da dieta“, que você pode até não conhecer, nem ter ouvido falar, mas está entranhada nela.

Então, falar sobre cultura da dieta é o primeiro passo para gerar consciência sobre o tema e não cair nas suas armadilhas.

POR QUE A CULTURA DA DIETA EXISTE?

Podemos não perceber, mas cada um de nós está inserido na cultura da dieta. O que assistimos, lemos, escutamos e a maneira como falamos sobre comida não é mais imparcial. A preocupação é voltada para a restrição de calorias ou alguma dieta do momento, sempre visando o emagrecimento ou os benefícios nutricionais, utilizado como forma de controle e não como algo equilibrado, causando o famoso “terrorismo nutricional”, reduzindo os alimentos entre os permitidos e os proibidos.

A comida se tornou altamente carregada com informações como:

  • Boa
  • De verdade
  • Venenosa
  • Viciante
  • Permitida
  • Não permitida
  • Sem culpa
  • Refeição do lixo
  • Recompensa (o famoso “Aconteceu tal coisa, então eu mereço comer”)

Os alimentos que escolhemos comer ou não se tornam um prolongamento do nosso caráter moral. A cultura da dieta nos mostrou que devemos a achar que somos moralmente superiores se comemos “comida de verdade” e somos inferiores quando comemos “besteira”, que sempre classificamos como “ruim” e/ou “venenosa”.

A CULTURA DA DIETA TRANSFORMA ALIMENTOS EM TABUS

Mão segurando um garfo pegando salada na marmitinha - Alimento permitido na Cultura da Dieta

Cultura da Dieta (Foto: Unsplash)

A procura incansável pelo corpo magro, musculoso, ou considerado como “ideal/perfeito” são práticas impostas na ‘cultura da dieta’. Quando categorizamos determinados alimentos em “proibidos”, eles se transformam em tabus. Com esse “não poder”, surge o desejo de passar por cima da regra – cair em tentação, o que aumenta as chances de desenvolver um comer transtornado ou até mesmo um transtorno alimentar. Por isso, é bom lembrar que devemos comer com prazer e sem culpa. Isso é possível!

Para mudar essa vontade aumentada de comer, é preciso começar pela mudança no pensamento, entendendo que comer exageradamente não faz bem ao corpo, não faz bem ao nosso organismo e que dentro de uma alimentação equilibrada é possível ter uma diversidade de alimentos, e que nenhum é proibido, desde que usufruídos sem excesso.

Cada alimento tem uma quantidade apropriada, até os alimentos conhecidos como “besteiras” e fast-foods podem fazer parte de uma rotina saudável, desde que consumidos sem exageros.

Observar e entender os sinais de fome e saciedade do corpo ao se alimentar, também é uma ótima dica para evitar os momentos de gula. É claro que isso requer paciência e autoconhecimento. Por isso a importância de resgatar o contato com seus sinais internos de fome e saciedade, e sobretudo, respeitá-los.

Para conseguir manter a sintonia entre as sensações do corpo, a comida e a mente, seguem algumas dicas:

1 – Antes das refeições, tente deixar os problemas fora da mesa. Tente relaxar e aproveite suas refeições.

2 – Não pense no “corpo ideal”, aceita a sua forma física e a sua beleza natural. Você é lindo(a)!

3 – Use as roupas que fazem você se sentir bem com você. Se olhe no espelho e veja a pessoa maravilhosa que reflete nele.

4 – Leve prazer para as refeições. Quanto mais você fizer isso melhor será a sua relação com a comida.

5 – Quando estamos em sintonia com o nosso próprio corpo, conseguimos distinguir o que é uma necessidade e o que é uma vontade. Tudo pode ser consumido, desde que na quantidade certa. E tudo bem também atender uma vontade, avalie o contexto sempre.

POR QUE A CULTURA DA DIETA É PREJUDICIAL?

Ao perguntar isso às pessoas que estudam sobre o assunto, duas principais questões foram mostradas: o problema de saúde mental e os resultados serem rápidos e momentâneos, podendo gerar vários problemas de saúde.

A cultura da dieta é um padrão, uma busca momentânea. A pessoa começa a viver em função disso. Deixa por vezes a sua saúde de lado em busca de um corpo que é considerado seu padrão de beleza. O principal problema dessa busca são os problemas de saúde mental.

Outro fator pontuado são os riscos para a saúde física que essas mudanças repentinas e radicais podem trazer ao corpo. Dietas por um curto período de tempo podem trazer uma diminuição do peso e variáveis ligadas a risco cardiovascular, mas o fato delas serem limitadas fazem que a pessoa retorne ao hábito alimentar antigo, e além de recuperar o peso que havia perdido, volta a ter todos os outros marcadores de risco cardiovascular

OS PERIGOS DA CULTURA DA DIETA

Mão envolta de fita métrica - Muito utilizada por pessoas imersas na Cultura da Dieta

Cultura da Dieta (Foto: Unsplash)

Um dos grandes perigos é fazer a dieta por conta própria sem a orientação de um bom profissional sério de saúde, o que acontece bastante. Muitas vezes essas dietas são restritivas, sem um fundamento científico e que existem contra indicações que podem gerar distúrbios.

Outros pontos negativos são: o risco de consumir drasticamente menos calorias do que seu corpo precisa e perder massa magra e óssea, que em longo período pode gerar osteoporose. Mudanças no sistema endócrino e no aparelho reprodutivo. E ainda há a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno alimentar.

MOVIMENTOS CONTRA A CULTURA DA DIETA

Contra a cultura da dieta têm surgido alguns movimentos com a finalidade de privilegiar a beleza de todos os tipos de corpos. Um desses movimentos é o “body positivity” (positividade corporal), que estimula  as pessoas a se admirarem e  aceitarem seus corpos do jeito que eles são, com suas imperfeições.

Isso pode ser difícil para muitas pessoas, porque o processo de aceitação é demorado, cheio de altos e baixos. Com isso, surgiu um outro movimento, chamado “body neutrality” (neutralidade corporal) que incentiva os indivíduos a nem amar, nem odiar nossos corpos, este movimento tira o foco da aparência e dá mais importância ao que esse corpo permite fazer: viajar, pensar, movimentar-se, aprender coisas, etc.

 

Mulher acordando e indo se pesar - Hábito ruim e comum na Cultura da Dieta

Cultura da Dieta (Foto: Unsplash)

É O FIM DA CULTURA DA DIETA?

Seria o fim da cultura da dieta?

Com a conversa sobre equilíbrio entre o corpo e a saúde mental ganhando cada vez mais força, é natural repensar os diversos aspectos de sua vida que podem trazer um gatilho ou gerar algum tipo de incômodo. Uma rotina de restrições alimentares em prol de um “corpo ideal” é uma delas – e que cada vez mais está caindo por terra.

Nutricionistas e endocrinologistas estão cada vez menos falando o termo “dieta” e apresentando a ideia de um programa alimentar que leva a pessoa a uma reeducação alimentar, onde a saúde e o bem-estar são os principais fatores a serem atingidos – muito diferente de fórmulas extremas que vemos durante muito tempo, que levava pessoas a transtornos alimentares e psicológicos e que podiam desencadear diversos problemas de saúde.

O termo “dieta”, inclusive, não é mais recomendado pelo Conselho Federal de Nutrição, porque ela traz uma ideia de algo temporário e restritivo. A ideia é que você faça uma mudança no estilo de vida e assim você ganha um resultado duradouro e equilibrado.

 

FAÇA AS PAZES COM A COMIDA E COM SEU CORPO

É muito comum encontrar pessoas com uma boa saúde física, mas que apresentam evidências de que a saúde mental não anda tão bem assim. Geralmente sentem culpa por comer determinados alimentos ou insatisfação com a imagem corporal. Essa ansiedade muitas vezes é passada de forma geracional: de pais para filhos, de médico para paciente, de amigos para amigos.

Isso está muito relacionado com a cultura da dieta e é necessário fazer as pazes com a comida e com o corpo! Ficar em guerra com nosso corpo não serve à nossa saúde mental e bem-estar.

É necessário começar a se alimentar de forma diferente, substituindo o julgamento por uma permissão incondicional. Fazer a pazes com a comida significa abandonar todos esses rótulos morais. A comida é apenas comida! Nada mais!

Basicamente tirar o controle sobre as calorias, tirar o controle da dieta que alguém te passou e assumir a responsabilidade pelo que você come partindo da escuta interna dos seus sinais corporais. Seu corpo é sábio, ele sabe o que você precisa. É verdade que se você faz dietas há muito tempo esses sinais podem estar mascarados, então por vezes é necessário encontrar um profissional que trabalhe com comportamento alimentar, para te ajudar, ok?

Mulher comendo sem aparentar culpa - Vamos combater a Cultura da Dieta

Cultura da Dieta (Foto: Unsplash)

AINDA É RELEVANTE SEGUIR UM PLANO ALIMENTAR RESTRITO?

A dieta alimentar restritiva tem suas indicações e elas são principalmente para pacientes com problemas de saúde específicos, por exemplo doença renal, diabetes, hipertensão arterial, cardiopatia, gastrite, dentre outras. Normalmente só é indicada para esses casos, e ainda assim conseguimos incluir diversidade de alimentos.

Portanto se o paciente não tem nenhuma doença, não é preciso excluir alimentos, não há a necessidade de restrição alimentar de forma inflexível.

 

COMO MANTER UMA RELAÇÃO SAUDÁVEL COM A COMIDA NOS DIAS DE HOJE

Há diversas formas para manter uma relação saudável com a comida. A pessoa precisa conhecer alguns conceitos sobre alimentação saudável. Tem que conhecer sua fisiologia e sua saúde também é interessante, afinal o que pode ser bom para meu amigo, pode não ser bom para você e vice-versa.

Outro ponto importante é conhecer também o tipo de fome que a pessoa sente, se ela é emocional ou orgânica.  A emocional geralmente tem relação com situações de ansiedade, estresse, normalmente ela não tem uma hora para chegar. Já a orgânica é acompanhada por outros sintomas, além da fome, dor de estômago, dor de cabeça, tontura, ela tende a melhorar depois do consumo de alimentos.

Mas é importante ressaltar que não devemos esperar a fome chegar nesses termos para nos alimentarmos, existem graus mais leves de fome, que você consegue perceber à medida que vai se conecta mais com seus sinais internos.

Quanto à alimentação saudável, dê preferência a alimentos crus, pouco processados, frutas, verduras, legumes e castanhas. Mas lembre-se também de comer alimentos que você aprecia, criar receitas diferentes e comer com mais variedade. Que tal incluir alguma PANC (plantas alimentícias não convencionais) no seu cardápio?

Os produtos industrializados estão muito distantes do produto original, quando você tem um produto que nem parece com o produto original, por exemplo: milho e biscoito de milho, esses produtos tem uma quantidade muito grande de componentes químicos que fazem muito mal à saúde. Se você puder usar orgânico é a melhor coisa. Isso é o mais aconselhável: comida de verdade.

Fazer as pazes com a comida! Comer sem culpa e ser feliz! FORA À CULTURA DA DIETA!

Caso você tenha alguma dúvida sobre o que conversamos neste post, pode entrar em contato comigo e se gostou também pode deixar seu comentário.

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