Aaah… o Brasil! O clima, a biodiversidade, a interação cultural e a composição do solo brasileiro faz desse país um dos principais produtores orgânicos do mundo! Com tamanha biodiversidade, a presença de produtos orgânicos na mesa do brasileiro tem crescido muito em comparação com décadas passadas.

produtos orgânicos

A agricultura orgânica tomou parte de propriedades que antes eram destinadas à agricultura convencional. Os produtos orgânicos – os famosos alimentos in natura – estão sendo centro de muitos debates em relação ao aquecimento global e à alimentação saudável.

No Brasil, por exemplo, a regulamentação da produção de orgânicos teve avanços significativos a partir da publicação da Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003 e do Decreto nº 6.223, de dezembro de 2007. O Decreto estabeleceu um grande avanço sobre o ponto de vista dos mecanismos de controle necessários para assegurar ao consumidor a qualidade do produto orgânico. Afinal, não basta ter apenas um selo para marcar a qualidade do produto, é necessário ter o conhecimento de todo o processo até chegar em nossas mesas, não é mesmo?

Mas você sabe o que são os produtos orgânicos?

Ao contrário do que você pode pensar, produto orgânico não é somente aquele livre de agrotóxicos. A produção orgânica, além de dispensar totalmente a inserção de insumos artificiais (como adubos químicos e fertilizantes), também está alheia às drogas veterinárias, aos hormônios e aos elementos geneticamente modificados.

Além de não usar também radiações ionizantes (tecnologia com potencial cancerígeno se mal usada, encontrada, em alguns casos, na agricultura tradicional), assim como corantes, aromatizantes ou qualquer outro componente químico que possa trazer efeitos sintéticos no organismo humano. Xô nhaca!

Pode parecer exagero, mas o alimento orgânico é vida!

produtos organicos

O aquecimento global e a Agricultura Convencional

Não é de hoje que a ONU alerta que, à medida que o mundo se torna cada vez mais moderno com contingente populacional em diversas partes do globo, todo o solo fértil da Terra pode acabar em 60 anos. A causa da sua degeneração é atribuída à utilização pesada de insumos químicos, desmatamento – o que aumenta a erosão – além do próprio aquecimento global. Ou seja, é evidente que sem solo não é possível produzir!

Por isso ganha força no campo o movimento em prol dos orgânicos e da agricultura regenerativa, que restaura a terra degradada.

A primeira crítica à agricultura convencional surgiu do impacto ambiental que a devastação das florestas (para dar espaço a novas áreas produtivas) trazia ao planeta. Portanto, o uso intensivo do solo e a utilização desmedida de agrotóxicos geraram contaminação de alimentos e os primeiros casos de trabalhadores rurais enfermos pela inalação constante de componentes químicos não demoraram a surgir.

Como a produção nesse modelo se dá em larga escala, o tempo de estocagem costuma ser maior, o que também contribui para a perda de nutrientes. E convenhamos, uma alimentação saudável precisa ser composta por muitos nutrientes, fato que a agricultura convencional não permite, não é mesmo?

Além do mais, o aumento inexplicável do diagnóstico de doenças pouco conhecidas no passado (especialmente as cancerígenas) tem sido relacionado ao uso indiscriminado de fertilizantes na produção agrícola das últimas décadas. Por conta disso, foram feitas diversas denúncias de resíduos de agrotóxicos identificados em embutidos, verduras e laticínios. Assim, a agricultura convencional e orgânica começou a ser discutida. E sejamos sinceros, já estava na hora!

Agricultura orgânica

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Agricultura Orgânica é um processo produtivo comprometido com a organicidade e sanidade da produção de alimentos vivos para garantir a saúde dos seres humanos.

Esse modelo usa e desenvolve tecnologias apropriadas à realidade local de solo, topografia, clima, água, radiações e biodiversidade própria de cada contexto, mantendo a harmonia de todos esses elementos entre si e com os seres humanos.

Segundo a Associação de Agricultura Orgânica, esse modo de produção assegura o fornecimento de alimentos orgânicos saudáveis, mais saborosos e de maior durabilidade. Além de não utilizar agrotóxicos, preserva a qualidade da água usada na irrigação e não polui o solo nem o lençol freático com substâncias químicas tóxicas. Ainda, por utilizar um sistema de manejo mínimo do solo, assegura a estrutura e fertilidade dos solos evitando erosões e degradação, contribuindo para promover e restaurar a rica biodiversidade local.

Ou seja, com mais pesquisa, tecnologia e melhores processos, os orgânicos vem ganhando um papel cada vez mais importante na agricultura e, inclusive, ser a chave para alimentar o mundo de forma sustentável em um contexto de aquecimento global.

Mas, afinal, é possível alimentar o mundo com produtos orgânicos?

Sim, é possível alimentar o mundo com produtos orgânicos! E até mesmo ter um aproveitamento melhor dos alimentos de maneira mais saudável e ecológica. Quer algo melhor do que isso?

Há quem diga que é algo inútil para tentar desacelerar o aquecimento global e quase impossível alimentar o mundo inteiro apenas com produtos orgânicos. Entretanto, o estudo “Agricultura Orgânica para o Século 21”, realizado pela Universidade Estadual de Washington (EUA) e publicado pela revista Nature em fevereiro de 2016,  comprovou que a agricultura orgânica poderia ser usada para alimentar toda a população do mundo.

“Os sistemas agrícolas orgânicos produzem rendimentos mais baixos em comparação com a agricultura convencional. No entanto, eles são mais rentáveis e amigáveis com o meio ambiente e fornecem alimentos iguais ou mais nutritivos que contêm menos (ou nenhum) resíduos de pesticidas quando comparados com a agricultura convencional“, detalha o resumo do estudo.

O crescimento da Agricultura Orgânica

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Segundo levantamento realizado pelo Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável (Organis), 15% da população consumiu algum produto orgânico no ano de 2017, mas a expansão do setor tem batido os 20% ao ano.

No cenário mundial, o mercado de orgânicos cresce de forma acelerada. Em 2019, movimentou no mundo US$ 105 bilhões, contra US$ 21 bilhões em 2001. E a projeção é de um crescimento anual sobre essa base de 15% até 2022, segundo dados da Ecovia Intelligence. Em termos de produtividade, os orgânicos se equiparam ao sistema convencional após cinco anos de transição. E, em períodos de seca, produzem 40% mais.

No entanto, como nada é perfeito, há algumas desvantagens na adesão desse modelo de produção, tal como o alto custo no preço final e a baixa produtividade na agroindústria.

Os produtos orgânicos e a fome mundial

Já parou para pensar que a alimentação orgânica é eficaz não somente com o meio ambiente, mas é eficiente para diversos problemas sociais, tal como a fome?

Segundo a ONU, os pesticidas não são necessários para alimentar a população mundial. Para a Organização das Nações Unidas, a agricultura orgânica é a resposta para o problema da fome. Mas, infelizmente, diversos fatores impedem que esta ideia se solidifique.

Assim, tendo em vista que a agricultura orgânica ajuda também na renda de muitos produtores locais, na hora de comprar seus alimentos, invista em produtos orgânicos. Ajude e faça com que essa iniciativa continue, contribuindo com os produtores locais, com o meio ambiente e com a sua saúde!